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A Rainha do Ignoto

A Rainha do Ignoto
é um romance brasileiro, um dos primeiros da literatura fantástica brasileira, escrito por Emília de Freitas.


A Rainha do IgnotoEditar


A Rainha do Ignoto: romance psicológico que foi publicado pela primeira vez em 1899. Discorrendo sobre temas relacionados à “alma feminina” e à situação das mulheres na sociedade patriarcal, o romance revela uma sociedade secreta de mulheres, hierarquicamente organizada em uma ilha, denominada Ilha do Nevoeiro, governada por uma Rainha que recrutava mulheres a partir do sofrimento vivenciado por elas no cotidiano. A Rainha do Ignoto é uma curiosa narrativa que, lembrando velhas lendas, recria num clima de mistério a beleza dos contos europeus. O grande interesse do livro está na criação de uma utópica comunidade de mulheres, uma comunidade perfeita, a das chamadas. paladinas que só fazem o bem e só buscam ajudar aos perseguidos.

O Fio CondutorEditar

A leitura de “A Rainha do Ignoto”, inicialmente, destaca o fato de tratar-se de um romance psicológico,
segundo afirmação presente no próprio corpo do texto. Romance psicológico ou não, o fato é que o leitor vê-se rapidamente em meio aos fatos obscuros que envolvem um ente aparentemente extraordinário.
A narrativa, focalizada sob o ponto de vista do narrador, apresenta a chegada de Edmundo à pequena
cidade de “Passagem das Pedras” (nome dado antigamente à cidade de Jaguaruna), no Ceará, e do seu encontro com alguns aspectos que mudarão a sua vida: as leis que regem a sociedade local e as estranhas situações que envolvem uma desconhecida e diabólica figura, popularmente conhecida como Funesta. A presença de Funesta na trama, cujo nome remete diretamente à ideia da morte, “a moça encantada” (p.33), dialoga com a ideia dada por Todorov para a ambiguidade que deve manter o discurso de toda a narrativa fantástica:
Somos assim transportados ao âmago do fantástico. Num mundo que é exatamente o nosso, aquele que
conhecemos, sem diabos, sílfides nem vampiros, produz-se um acontecimento que não pode ser explicado
pelas leis deste mundo familiar. Aquele que o percebe deve optar por uma das duas soluções possíveis; ou
se trata de uma ilusão dos sentidos, de um produto da imaginação e nesse caso as leis do mundo continuam a ser o que são; ou então o acontecimento realmente ocorreu, é parte integrante da realidade, mas nesse caso esta realidade é regida por leis desconhecidas para nós.

Ou o diabo é uma ilusão, um ser imaginário; ou então existe realmente, exatamente como os outro seres vivos: com a ressalva de que raramente o encontramos. (Todorov, 2004, p.30-31)

O fio condutor da narrativa desenvolve-se, ainda, em torno do espetáculo social e da disputa entre as
solteiras pelo jovem moço que acabara de chegar, aliada, concomitantemente, a uma espécie de aprendizagem que subjuga as leis naturais e a própria sociedade. Essa tensão constante captura a atenção do leitor que apreende o fantástico, com suas leis, hesitante. Os elementos sobrenaturais vão constituindo estranhamento e desmascaramento social, paralelamente. Nessa perspectiva, a relação entre a natureza estranha e maravilhosa da personagem e o reflexo nas mazelas sociais instaura uma função social e literária do sobrenatural. Nas palavras de Todorov “O elemento maravilhoso revela-se como o material narrativo que melhor preenche esta função precisa: trazer uma modificação à situação precedente, e romper o equilíbrio (ou o desequilíbrio) estabelecido.” (2004, p.174).

Ligações ExternasEditar

A Rainha do Ignoto e o Fantástico

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